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A História Retrospectiva: a dubiedade narrativa entre o senhor e o escravo.

A história do povo de Israel narrada no antigo testamento da Bíblia é impressionante . Um povo que viveu como escravo no Egito durante a maior parte dos quatrocentos e trinta anos que viveu nessa região e que, libertado por seu Deus, sob a liderança de Moisés, venceu diversos reinos inimigos e construiu uma grande civilização. Trata-se de uma história de redenção, uma volta por cima, em que uma nação de escravos se torna uma grande nação de senhores. Narrativas similares são relativamente comuns em contos épicos de povos grandiosos. Os romanos, por exemplo, seguem uma linearidade parecida. Derrotados da guerra dos gregos contra Tróia, Enéas lidera os sobreviventes troianos e os transporta para a Itália (terra de onde originariamente vieram os fundadores de Tróia). Na Itália, os descendentes de Enéas e seu filho Iulo vencem territórios e instituem os costumes dos deuses, sendo Rômulo e Remo seus descendentes diretos . Roma se torna um imenso império que suplanta a vitória da Gréci...

O profano e o épico da Ilíada na arte contemporânea

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O livro épico "Ilíada" de Homero tem como tema principal não a guerra da Troia propriamente dita, mas sim o conflito interno que se passou entre o povo grego no meio desta guerra, mais especificamente, a rixa entre Agamêmnon, o rei dos Aqueus, e Aquiles, seu maior herói. O que Homero pede que a deusa lhe cante é "do Peleio Aquiles a ira tenaz...", confome os primeiros versos da obra. Em sua época, o escrito era considerado sagrado, era a "deusa" que havia inspirado o texto, que continha vários detalhes sobre o agir das dinvindades do Olimpo, assim como sobre o comportamento das pessoas nesse período e dessa cultura. Todavia, sob uma ótica retrospectiva, com nossos olhos contemporâneos, é possível afirmar que a Ilíada trata de um tema mundano, profano, que é a simples briga entre duas personagens, rixa até mesquisa, uma vez que custou a vida de muitos. Porém, a obra descreve de maneira épica esse tema profano, inserindo-o num contexto e numa narrativa extre...

A Esperança do Oriente

A Revolução de Jasmim na Tunísia, que derrubou o ditador Ben-Ali, lider nacional desde 1985, ecoou até o Egito. O mundo inteiro acompanhou passo a passo os protestos que tiveram como lugar central a Praça Tahrir, ou Libertação, na cidade do Cairo. Reunidos pelas redes sociais, milhares saíram as ruas pedindo a retirada do ditador Mubarak, no poder desde os anos 80. Quanto mais aumentava a repressão do exército, baseada numa lei de exceção que há trinta anos vige no país, mais aumentava a resistência popular. Liderados por jovens, os protestos se tornaram maiores e a praça Tahrir se tornou símbolo da resistência. Grupos que apoiavam o ditador (e policiais a paisana) atacavam com armas de fogo os militantes, causando a morte de mais de 300 pessoas. Os egípcios, entretanto, resistiram mais de duas semanas. O povo aderiu em peso, operários entraram em greve geral. A cidade de Alexandria também protestava. Depois de muito sangue derramado e da presença de centenas de milhares de pessoa...

CORREDOR CULTURAL DE CURITIBA: o que é?

Por Yuri Gabriel Campagnaro, coordenador do DCE-UFPR 2009/2010, militante do Coletivo Barricadas Abrem Caminhos e do Coletivo Maio do Direito da UFPR, membro do Conselho de Representantes Discentes 2010/2011 O Corredor Cultural é um projeto em parceria da UFPR com a Prefeitura de Curitiba e entidades comerciais, como a Associação Comercial do Paraná, e consiste em reformas no prédio histórico da UFPR e no Teatro da Reitoria. 1. Relação do Corredor Cultural com o projeto de revitalização do centro de Curitiba pela Prefeitura e entidades empresariais. O projeto está inserido num contexto mais amplo, que abarca reformas no centro da cidade feitas pela Prefeitura municipal e pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC), o chamado “Centro Vivo”, encabeçado pela Associação Comercial do Paraná. São reestruturações que visam à revitalização do centro da cidade, que está em situação de decadência, com prédios feios e abandonados, prostituição,...

De Gregório: Cultura para a periferia II

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Publico aqui texto do camarada Gregório em seu novo blog http://osjacobinos.blogspot.com/ Vale a pena ler! Assim que tiver tempo escreverei texto que dialogará com esse. Cultura para a periferia II Na primeira postagem, refleti que o desenvolvimento da Indústria Cultural chegou a tal ponto que os consumidores são por ela padronizados e classificados, de modo que as mercadorias culturais que consomem são previstas para seu tipo social e espera-se deles que espontaneamente reconheçam essa marca de distinção. Theodor Adorno percebeu esse fenômeno há mais de meio século atrás, e pode-se dizer que ele marca a virada da Indústria Cultural do capitalismo de livre mercado para a era do capitalismo imperialista; da era da concorrência para a era do monopólio, no sentido que Lenin coloca a questão. Também afirmei que os trabalhadores consomem muitas mercadorias culturais, mas justamente aquelas para eles especialmente produzidas pela Indústria. Por essa razão, não se pode falar exatamente que ...

Análise acerca de O Crime das Irmãs Papin de Jacques Lacan.

Jacques Lacan, autor que revolucionou o estudo da psicanálise, analisa, no texto em questão, do ponto de vista desses estudos, crime peculiar que ocorreu em sua época. O crime, dotado de características terríveis e intrigantes foi de autoria de duas irmãs, de 28 e 21 anos, que foram durante anos criadas de uma família burguesa, com a qual, estranhamente, não dialogavam, não trocavam palavra alguma, numa relação de silêncio absoluto e “obscuro”. Certa noite, após banal corte de eletricidade e consequente reclamação das patroas (mãe e filha), as irmãs, num ato de furor, “ ...cada uma se apoderou de uma adversária, arrancou-lhe em vida os olhos das órbitas, fato espantoso, disseram nos anais do crime, e os destroçou. Depois, com a ajuda do que encontraram ao seu alcance, martelo, pichel de estanho, faca de cozinha, atacaram os corpos de suas vítimas, destruíram-lhes o rosto e, expondo seu sexo, talharam profundamente as coxas e nádegas de uma, para macular com esse sangue as da outra. E...

De Volta para o Futuro: fansástico não, fantasia... sim.

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No dia 21 de Outubro de 2015, o jovem Marty McFly chegava do ano de 1985 ao "futuro". Em "De Volta Para o Futuro II", esse futuro é outra realidade, onde os avanços tecnológicos transformaram a sociedade: são carros e skates voadores, roupas que secam sozinhas, hologramas em três dimensões, etc. Além disso, a paisagem da cidade é limpa, arborizada, modelo - no futuro, as condições materiais não são mais um problema. Podemos nos lembrar também da animação norte-americana dos anos 1960 "Os Jetsons", em que além de carros voadores que se dobram em uma mala compacta, já na abertura duas coisas ficam claras: o dinheiro continua existindo e enquanto o homem vai trabalhar, a mulher "rouba" seu dinheiro para passar o dia no shopping. Enquanto a empregada doméstica é um robô, o cachorro é quase um humano. O que não dizer então do programa "Mundo do Futuro" do canal Discovery. " Chegar assim aos 150 anos? Nada mal. Que tal um encontro íntimo...